A dor e a delícia
30/03/2015 13h04 - Atualizado em 30/03/2015 13h04

IDADE BOA!

IDADE BOA!

Acabo de me dar conta de que hoje, faz um mês que completei 51. Costumo brincar que fiz 5.1. Acho que esse ponto entre os números, diminui o peso. Há quem faça alusões a boa e velha caninha, acho até legal, mas ficou tão clichê que fico constrangida em usar.

O bom de ter 51 com corpinho de 48 – há quem diga que pareço ter 42, e eu agradeço – é que a gente aproveita da maturidade e a vaidade agradece os constantes elogios e caras de incredulidade diante da descoberta da idade real. 

Tá! Tem coisas melhores. Por exemplo, falar o que penso sem medo. Acho que sempre fui meio assim, mas tinha lá no fundo pintava um temor da consequência. Agora, falo e aperto o botão do foda-se. Delícia quicar a bola pro campo adversário!

Quando a gente passa dos cinquenta, existe o peso – que bate só as vezes, confesso – do meio século vivido e alguma insegurança com o que nos reserva o futuro, mas ao mesmo tempo e mais forte, a experiência adquirida, as certeza de que não podemos ter certeza de nada, de que nada nos pertence e de que tudo é efêmero, dá um paz impagável.

Tenho amigos de todas as idades e convivo em harmonia com todos eles – das minha meninas, queridas de 20, 30 anos, aos meus amigos que passaram dos 60.  Com elas, sou estimulada a não perder o vigor, o bom humor, a vaidade. Com eles, aprendo a ser mais tolerante, mais paciente e apertar o botão. É! Aquele.

Ter cinquenta nos faz ter consciência dos nossos direitos. Aqueles, que na verdade sempre tivemos, mas a pressão social, muitas vezes nos fez achar que devíamos abdicar. De um tempo pra cá, faço só o que quero fazer. Não, não me tornei egoísta. Mais seletiva, apenas.

Respeito meu tempo, meu ritmo, minhas vontades.

Descobri que tenho necessidade de me conectar comigo mesma, de tempos em tempos. Acho que a convivência com amigos, família, trabalho e até mesmo com o par, nos afasta daquilo que somos em essência. Natural! Simbiótico! Mas não pode ser definitivo. Preciso de um período comigo mesma para separar o joio do trigo, assimilar o que realmente interessa, me olhar no espelho e me enxergar por inteiro. Sim, com alguma transformação, mas ainda assim, eu!

Estabelecer limites também é um aprendizado. Entender e respeitar o nosso e o do outro, me fez mais feliz.

Aconselhar, ouvir, ajudar a transformar vidas. Chamar à razão, incentivar a voar e saber quando usar um ou outro com sabedoria. Ah, é delicioso!

Se perceber respeitada, admirada e não se deixar abater diante de probleminhas, também é muito bom. Se antes me achavam forte, hoje sou uma muralha, daquelas medievais!

Nos permitimos sentir saudade e chorar o leite derramado mas não fazemos disso um meio de vida. Não há vitimização, só constatação e pesar! Sabemos que a vida segue cheia de surpresas boas e momentos não tão bons assim.

 

Descobrimos que a realidade é bem menos assustadora que a fantasia que criamos diante das adversidades da vida. Aprendemos também, que as pessoas não são o que parecem ser e que verdadeiramente, de perto ninguém é normal.

Passamos a respeitar o que somos, afinal -  de novo, parafraseando Caetano -: Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Perdemos aquela humildade, que na verdade só serve pra nos colocar pra baixo, inferiorizadas. Saber onde mora o ridículo e az vezes fazer uso dele, sem medo, sem culpa! O caminho da elegância nos é ensinado ao longo da vida e claro, legal não perder o contato com ele.

Olho pra mim e penso: Fodam-se as celulites, os braços flácidos, as rugas em volta dos olhos, bunda e peito cumprindo sua função dentro da lei da gravidade. O brilho nos olhos, o sorriso aberto e a energia que sinto emanar da minha alma feliz, são mais, muito mais.

Salve, 51!

 

 

 

A dor e a delícia

Chris Carolo – Uma mulher que aprendeu, a duras penas, que para ser feliz é preciso estar presente. Seja na dor, seja na delícia.

“A Dor e a Delícia” retrata algumas memórias da autora e conta histórias de ficção, ou não, através de contos e crônicas. Memórias de uma infância feliz, de uma adolescência nem tanto e de uma vida adulta pautada na verdade e na fidelidade daquilo que se é.

Histórias divertidas, ouvidas de amigos. Contos e crônicas que retratam romances, dramas e até mesmo algumas comédias.

“A ideia é que a leitura seja leve, acessível e toque de alguma forma quem se dispuser a compartilhar desses momentos comigo.”

Imagem DANIEL BASSO.

 

* As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Portal de Notícias www.vaievemdavida.com.br.


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