Gêmeos do Cinema
25/11/2014 15h16 - Atualizado em 25/11/2014 15h55

SERÁ ESTE O FILME MAIS CHATO DO ANO?

SERÁ ESTE O FILME MAIS CHATO DO ANO?

 

Boyhood – Da Infância à Juventude

Todo mundo que hoje em dia tem 34 anos (como nós), ou mais, sabe quem é e gosta de Patricia Arquete. Ela nunca foi uma grande estrela. Sempre esteve na sombra de outras musas loiras do cinema (Sharon Stone, Meg Ryan, Michelle Pfeiffer e C&A), e talvez por isso continua trabalhando frequentemente até hoje. Sempre fez grandes personagens, nunca foi muito cobrada e no final fez sempre o que quis como atriz, se sobressaiu e se manteve longe dos holofotes e escândalos... Diferente de suas colegas.

Dizemos isso, pois Patricia estrelou A HORA DO PESADELO 3 – OS GUERREIROS DOS SONHOS em 1987 de Chuck Russell, esteve em uma cena de strip-tease ao ar livre que a deixou famosa em ARRISCANDO TUDO em 1993 de Jeffrey Reiner e naquele mesmo ano se torna cult pelo mega cult AMOR A QUEIMA ROUPA de Tony Scott, produção de Tarantino.

Participou de outros filmes importantes como ED WOOD (1994) de Tim Burton ao lado de Johnny Depp, mas o filme foi um retumbante fracasso e ela estava apagada. Por isso, lotou seu currículo com grandes performances em filmes independentes, como o sublime e totalmente emocionante MUITO ALÉM DE RANGUM (1995), de John Boorman, filme que talvez seria o instrumento para colocá-la em um patamar alá Demi Morre, mas que felizmente não aconteceu e o surreal, impressionante e ótimo ESTRADA PERDIDA (1997) de David Lynch. Não podemos esquecer de sua interpretação em seu imenso sucesso comercial STIGMATA em 1999 de Rupert Wainwright. Neste filme em especial, esteve soberba. Opa, sem esquecer de seu sucesso na TV com a série MEDIUM, que durou 7 temporadas (130 episódios) e Patricia ganhou o Emmy de melhor atriz em série drama em 2005.

Foi casada com Nicolas Cage (ela não seria perfeita, hehe).

Em 2002, ficamos sabendo que ela estava em um filme que seria lançado apenas em 2014. Ficamos sem entender. O projeto era chamado “Projeto de 12 anos” e tivemos que esperar.

A cada ano, pelo site imdb, acompanhávamos as gravações deste filme. Parecia aqueles projetos que jamais seriam lançados e que talvez seria decepcionante para o público, afinal, aconteceu algo parecido com a produção do filme MARGARET de Kenneth Lonergan, lançado em 2012 e filmado em 2005. Foi um imenso fracasso.

As filmagens deste ambicioso e pretencioso projeto começaram em maio de 2002 e se encerrou em outubro de 2013. No festival de Berlim em 2014, o filme estreou com uma imensa critica positiva. Foi aclamado por muitos críticos.

A duração: 165 minutos. Ótimo, afinal, 12 anos de filmagens, teria de ser um filme bem bem bem longo.

Estranho que ele foi filmado nestes 12 anos em apenas 45 dias, sendo que a cada ano os atores trabalhavam 4 dias por 4 horas, sem estresse, sem brigas, tudo milimetricamente programado, sendo tudo a mais positiva experiência para os atores.

Patricia disse que entrou em depressão quando acabou, pois mesmo que este dia fosse chegar, nunca achou que fosse chegar tão depressa. Que lembra a cada dia de tudo e que tudo se transformou numa família feliz, que viajavam durante alguns dias do ano (os outros projetos), e se reencontravam para compartilhar emoções e sentimentos. Ela diz isso em lágrimas.

O par romântico de Patricia é Ethan Hawke. Francamente, não somos fãs deste ator e sempre achamos que haviam opções melhores para fazer o personagem. Mas claro que seria Hawke, afinal o diretor do filme, é o mesmo da trilogia mais famosa da carreira do ator: ANTES DO AMANHECER, em 1995; ANTES DO PÔR DO SOL, em 2004 e ANTES DA MEIA NOITE, em 2013.

O diretor se chama Richard Linklater.

Linklater também escalou sua filha para um dos papéis e como astro principal, o novato Ellar Coltrane.

O filme é sobre a trajetória de uma família acompanhando os filhos desde a primeira serie até a ida de ambos para a faculdade. A diferença é que o diretor não queria trocar os atores e nestes 12 anos, os atores são os mesmos, acompanhando o crescimento.

Muito arriscado, intrigante, colocando o espectador em um alto nível de interesse, principalmente quando se fala em várias indicações ao Oscar, inclusive para Patricia.

Vimos o filme e... O QUE?!

É DUAS HORAS E QUARENTA E CINCO DE SACRIFÍCIO.

Não gostamos do filme. Talvez por razões pessoais. Mas vamos lá.

A divisão de época não foi bem selecionada. Na primeira cena estamos em 2002, mas em uma hora de filme já estamos em 2009, sabendo que falta pouco para 2013, mas falta uma hora e quarenta e cinco de filme.

O personagem principal, Mason (o menino, o filho), a cada ano que passa ele vai ficando mais apático, sem interesse e sem carisma. Seu rosto se torna enfadonho e como a história é sobre ele e teria de ser ele no filme, pois o diretor acompanhou seu crescimento, cria uma grande vontade de apertar pausa e zapear o controle da televisão. O filme que já é lento, sem clímax e sem trama, fica cada vez mais complicado e difícil de acompanhar. Que personagem mais irritante, chato e sem carisma.

Mason não sabe o que quer, não se comunica, não conversa, não é ligado no mundo, quer viver de arte, mas não gosta de compromisso e responsabilidade, como se as pessoas tivessem que sustentá-lo apenas para que ele possa viver essa busca incansável pelo eu dentro de si mesmo. Puxa, já bocejamos de escrever isso aqui.

Ele não se interessa por quem paga suas contas, suas roupas, a casa que mora, nada... quer viver o momento, afinal não somos nós que escolhemos o momento é o momento que nos escolhe. Quer tirar fotografias e julga chato assunto de contas e responsabilidades, principalmente se vier dos pais... - ATENÇÃO: SPOILERS (Leiam se quiserem) - ...sendo que ele (junto de sua irmã), querem que a mãe, quando ele for embora, fica na casa sozinha esperando ele e a irmã para o Natal, sendo que a mãe quer se mudar para um apartamento pequeno, recomeçar a vida e ele acha ruim, que o correto seria ela ficar esperando pelos filhos, como se ela não tivesse vida própria, somente eles. Por favor... FIM DO SPOILER!

Um filme careta, chato e complicado de acompanhar.

De criança, ele até tinha carisma e charme, mas seu aspecto de culturete que pouco toma banho, toma conta do filme que acabou sendo para nós dois uma gigantesca decepção. Não sabemos se o problema é o ator que seja ruim, ou o personagem, mas ambos têm a nossa reprova. Pelo que aparenta em entrevistas, interpretou ele mesmo no filme.

Uma fotografia brilhante, ótimas interpretações (dos adultos)... e para que?!

Alguns personagens somem do filme sem explicação, fica um gosto de “quero mais” e a tela é preenchida com lindas paisagens, uma fotografia extraordinária, mas somente os pontos mortos da trama, repleta de dois jovens (o filho e a filha), egoístas, chatos e irritantes. A menina consegue se sair pior.

Típico filme de adolescentes com vontade de ser artista... melhor... pseudo artista, que não se relaciona com os pais e os estranhos são a alma, isso quando se tem amor, compreensão e carinho dentro de casa.

Não dá para aguentar.

Se este filme representa a nova geração, estamos preocupados com o futuro do mundo. Agora sim que a Terra vai acabar em barranco e todos morreremos encostados. Ficamos felizes por termos 34 anos e mais felizes se tivéssemos 40 anos ou mais, pois viemos de uma época em que nossa geração era representado pelo CLUBE DO CINCO e não pelo clube do nada como este filme.

Nos Estados Unidos foi um hit com a crítica. Mas pedimos desculpas, não temos estes costumes antiquados e ultrapassados. Uma técnica de cinema da direita que salta à vista de todos. Não será necessário expor todos os detalhes.

145 minutos e o filme não começa. 

Reprovado. Desculpe Patricia Arquete. Foi apenas para ver você, mas esperamos que você não ganhe o Oscar.

Mas ele fará história e talvez um sucesso relativo nos cinemas, não pelo filme, mas sim pela audácia, ousadia e coragem de sua realização, que chama a atenção e leva você a embarcar neste desafio. Será que todos vão gostar do filme apenas por isso?

Quem for ver e discordar da gente. Imploramos, fale conosco...  

 

 

Gêmeos do Cinema

'Para mim, o cinema não é uma fatia da vida, mas um pedaço de bolo.' Alfred Hitchcock 

 André de Castro e Marcos de Castro - Irmãos gêmeos graduados em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, pesquisadores em semiótica, cinema e produtores audiovisuais registrados pela ANCINE. Profundo conhecimento em análise fílmica. Articulistas, palestrantes (curadores e comentaristas de cinema) pela São Paulo Film Commission e pela rádio CBN. Profundo conhecimento em história de cinema e todos os gêneros (comerciais, alternativos, independentes, estrangeiros, cults e clássicos). Diretores operacionais e administrativos dos Estúdios Kaiser de Cinema, apadrinhados pelo crítico de cinema Rubens Ewald Filho.

São Paulo Film Commission, Estúdios Kaiser de Cinema, Núcleo de Cinema de Ribeirão Preto Tel: (16) 3625.3600 * Cel: (16) 9175.0375 CLARO (16) 9994.1957 VIVO * (16) 8832.0089 OI Skype: andrecastro1980.

E-mail: contato@saopaulofilmcommission.org.br | www.saopaulofilmcommission.org.br

* As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Portal de Notícias www.vaievemdavida.com.br.

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