17/05/2015 08h13 - Atualizado em 17/05/2015 08h50

MAU-CARÁTER É QUEM ME DIZ...

MAU-CARÁTER É QUEM ME DIZ...

Pessoas de caráter duvidoso ou as que nem deixam dúvidas são sempre excelentes matérias-prima.

Sem falar na “qualidade” especial de se tornarem polêmica entre grupos e pessoas que até que eles surgissem, pouco ou nada tinham em que divergir.  São complexas, estão em atividade constante e possuem extraordinária capacidade de só serem identificadas, facilmente, nas entrelinhas! 

Então, me perdoem, se esse texto tiver que ser lido além das linhas que ele descreve. Me desculpe se evocar o meu e atingir o seu. Perdoem-me se a carapuça servir e fartem-se se souber quem é a cabeça que a perdeu!

Quem nunca se perguntou: “Mas, será possível que ninguém vê como esse fulano é?” ou “Será que sou só eu que ela não consegue enganar?”

Fazemos isso o tempo todo. Mas, em tempos de redes sociais e citações célebres, também é comum nos resignarmos e sermos aconselhados pelo velho e imortal Abraham Lincoln: 

“Você pode enganar pessoas todo o tempo. Você pode também enganar todas as pessoas algum tempo. Mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo.” 

Lincoln tinha razão, é claro, mas teve a morte abafada por risos inadvertidos da platéia! Preço alto pra entrar pra história não apenas pelos feitos, mas por impedir que os maus também tivessem vez.

A má notícia é que seu assassino também está nas páginas dos livros de histórias. 

Ninguém nasce mau-caráter. Via de regra em seu currículo encontramos uma infância de privações, relações parentais inócuas ou nocivas, seguido de muito esforço inútil de “vencer na vida por meios lícitos e/ou morais”.

E, pode apostar que ele não esconderá isso. Taí um mote onde o mau-caráter encontrará terreno fértil pra plantar a semente dos frutos que almeja colher de forma insuspeita.

Via de regra, o sujeito assim teve uma vida difícil. Pautado na máxima “sempre lutei muito”, na encruzilhada da vida em que todos nós somos testados, surge a primeira oportunidade desse sujeito “vingar” finalmente. E ele, é claro, vinga e.. se vinga de tudo que sofreu até então! 

Nesse momento, nasce o mau caráter! Do oportunismo advindo de uma escolha aleatória simples que o reforça positivamente. 

Para o que Lincoln,que não deixa passar nada, nos prepara:  "Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder." 

E “poder” é uma das coisas mais imensuráveis que existe. Cada um tem sua própria idéia sobre o que ele significa. 

Deve ser por isso que  assistimos tanta gente que, sem saber o que fazer com ele, acaba sendo atropelado por quem parece não ter nenhuma dúvida. 

Mas, de verdade, o poder corrompe muito mais quem convive com ele do que quem o possui. Piora muito quando o “poderoso” reúne em torno de si gente que sozinho jamais o teria. 

Daí não há caráter que sobreviva! Em tentáculos dados, não se olha as garras, nem se mede a periculosidade.

O mau caráter nasce um minuto antes de vislumbrar o poder e dura muito mais tempo depois que ele acaba. Se alimenta tanto do aumento quanto do declínio do poder. 

E, muitas vezes, ressuscita dos restos mortais do verdadeiro dono dele. Não são realmente seres extraordinários e inspiradores? 

Junte toda essa habilidade á uma intrínseca inteligência, oportunista inclinação para causas beneméritas, repentino e inexplicável trânsito entre influentes e uma expressão justificada somente pela sorte, casamento ou negociatas....eis nosso mau caráter! 

Eu sei, eu sei..você deve estar achando que eu conheço essa pessoa que você rapidamente identificou na descrição acima. 

Pode ser! Afinal, mau caráter que é mau caráter sempre dará um jeito de se tornar popular. Quase sempre confunde fama com reputação e aposta na primeira! 

Assim como a riqueza, o poder e o que é feito dele, só podem ser adquiridos por herança ou associação. Leia-se casamento, amizade, trabalho, sorte e/ou oportunismo – que na verdade, reúne todos os outros requisitos. 

É exatamente aí que entramos todos nós no bolo. Poder não nasce em árvores, sabia?
 

Nós generosamente o ofertamos de um jeito ou de outro. Em nossa defesa, arrisco dizer, que sempre o fazemos imaginando que, no mínimo, não o usarão contra nós! 

Essa ingenuidade (ou esperança se preferirem), é que elenca nossos maus-caráteres pessoais e ... sobretudo, intransferíveis – já que se ele (a) for mesmo um mau caráter irá ser sacana com você na mesma medida que será um anjo com quem lhe convier! 

Assim, respeitemo-nos uns aos outros! 

Quando ouvirem alguém afirmar categoricamente que essa ou aquela pessoa é um mau caráter, lembrem-se: Você pode estar discordando unicamente porque AINDA não foi vitimada por ela. Não sendo assim, em hipótese mais remota, mau caráter é quem está falando. 

Seja como for, nesse caso, analise: você tem andado muito mal acompanhado não é mesmo? 

Mas eu te entendo já que segundo meu “amigo” Lincoln, estamos numa sinuca:

“Não te esqueças que os estranhos são amigos que ainda não conheces.” 

E sem conhecê-los, resta-nos aprender com colunistas sociais e políticos (legítimos discípulos de Abraham Lincoln) no exercício de suas habilidades: 

“Tato é a capacidade de se descrever os outros tal como eles se julgam.” 

Mara Cabral

A psicologia é a ciência que estuda os processos mentais que influenciam o comportamento. Centrada no indivíduo e sedimentada na exclusividade de seus recursos existenciais, não pode ser confundida com crenças, ideias ou convicções transmitidas culturalmente. A psicologia descreve, explica, prevê e controla o desenvolvimento do comportamento. Existir é fácil. O desafio está em viver!

Mara Cabral: Psicóloga clínica-hospitalar, jornalista, Pós-graduada em História, Cultura e Sociedade, Idealizadora e Apresentadora do Programa “Sexo, Arroz e Internet” (Canal 20 da Net RP), mãe, amante dos animais e colunista do Portal Vai e Vem da Vida.

* As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Portal de Notícias www.vaievemdavida.com.br.

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