19/07/2015 12h18 - Atualizado em 19/07/2015 12h18

VIVER, SOBREVIVER e EXISTIR...

VIVER, SOBREVIVER e EXISTIR...

Tem gente que se oportuna bem de tudo que lhe convém. São os profissionais em si mesmos. Outros, tropeçam nas oportunidades e sequer as vêm. São os desprendidos. E há ainda, os que fazem da vida, verdadeiros safáris de realizações ...se profissionalizam apaixonadamente e valorizam cada vitória como troféu e derrota como aprendizado: são os idealistas. 

Talvez exista ainda, uma pequena parcela de pessoas que misturem essas três qualidades, que alternem persistência com resignação, fama com ostracismo e viva tão bem com isso que nem se dá conta dos degraus que sobe ou dos tombos que leva: são os ditos sobreviventes. 

Sobreviver, a meu ver, é tão complexo e louvável quanto viver. Embora, saibamos, ninguém nunca ergueu um monumento exclusivo pra um sobrevivente. Os dedicamos aos heróis, guerreiros e líderes. Em geral, todos eles surgiram de algum derramamento de sangue ou de muito suor. 

Assim, lutar é preciso e socialmente desejável. Morrer enquanto se faz isso, então, é ainda mais valorizado. E esse conceito milenar de valoração extrapolou os limites das grandes cruzadas e foi parar nos porões das mentes mais pacíficas e pouco ambiciosas. 

Aprendemos que pra se amar, gerar, nutrir e se relacionar sem luta ou sofrimento gera dúvidas sobre a qualidade e a intensidade do esforço empreendido. Portanto, perde o valor...ou, no mínimo, o desmerece por comparação. 

Quem tem filhos já crescidos, é casado há muitos anos com a mesma pessoa, ou está quase se aposentando depois de décadas sob a tutela de um mesmo empregador, já descobriu o que todos nós deveríamos saber: amor e êxito não são coisas que nos exijam tanta passionalidade para andarem de mãos dadas. 

No fim das contas, sabemos o que realmente amamos quando os sentimentos contrários como a insegurança e o egoísmo deixam de nos atormentar. Quando viver com e ao "lado de" torna-se mais legítimo do que sobreviver "apesar de". 

Simples assim. Fácil assim. Impossível assim. 

Quem, raios, iria desejar amar sem lágrimas, destemperos apaixonados e demonstrações inequívocas de que se possui o maior, entre os maiores e mais exclusivos dos amores? Quem nunca pensou: " Ninguém nunca vai amar como eu?". 

Se você já pensou, então também já acrescentou: "Já sofri tanto por isso" ou "Fiz tanto, dei tanto de mim". E, claro, já associou tudo isso ao merecimento que acredita ter obrigatoriamente depois de tanto sacrifício. Se não o tem, dirá que apenas sobreviveu à essa relação. Ninguém, acredite, fará um altar pra você. 

Então, quer saber? Viver é fácil. Sobreviver, mais ainda. É só nascer (que não depende de nós mesmos) crescer ( que também dispensa esforço solitário) e seguir desviando aqui, enfrentando acolá, ( e aí é só botar a culpa em alguém) até a morte chegar. 

Difícil, caros, é fazer tudo isso sem arrependimentos, sem lamentos, dores e eventuais desesperos. Ou sem causar tudo isso em alguém. Difícil é ter que admitir que sim, é possível morrer sem ter vivido ou sobrevivido. Morrer tendo apenas existido.

Mara Cabral

A psicologia é a ciência que estuda os processos mentais que influenciam o comportamento. Centrada no indivíduo e sedimentada na exclusividade de seus recursos existenciais, não pode ser confundida com crenças, ideias ou convicções transmitidas culturalmente. A psicologia descreve, explica, prevê e controla o desenvolvimento do comportamento. Existir é fácil. O desafio está em viver!

Mara Cabral: Psicóloga clínica-hospitalar, jornalista, Pós-graduada em História, Cultura e Sociedade, Idealizadora e Apresentadora do Programa “Sexo, Arroz e Internet” (Canal 20 da Net RP), mãe, amante dos animais e colunista do Portal Vai e Vem da Vida.

* As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Portal de Notícias www.vaievemdavida.com.br.

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