07/05/2016 10h37 - Atualizado em 07/05/2016 10h37

Aluno de Etec vai escolher se quer almoço ou dois lanches, diz Alckmin

Estudantes que ocupavam Centro Paulo Souza foram retirados pela PM. Medida vai passar a valer no segundo semestre deste ano, diz governador

Aluno de Etec vai escolher se quer almoço ou dois lanches, diz Alckmin
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em Ribeirão Preto (SP) (Foto: Rodolfo Tiengo/G1)

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta sexta-feira (6) que vai abrir uma consulta pública aos alunos das Escolas Técnicas (Etecs) para que possam escolher entre receber dois lanches ou uma refeição completa. O anúncio foi feito durante visita a Ribeirão Preto (SP), onde Alckmin participou da inauguração de um hospital particular. 

“Nós vamos comprar a marmita e vamos oferecer para eles. Então nós vamos fazer uma pesquisa junto a esses alunos do integral, quem quiser a gente substitui os dois lanches por uma refeição completa”, disse o governador.

 
OCUPAÇÃO DE ALUNOS
Estudantes ocupam Centro Paula Souza

Na tarde desta sexta-feira, o grupo de estudantes que ocupava a sede do Centro Paula Souza na capital paulista foi retirado do prédio por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChoque), após ordem de reintegração de posse expedida pelo Tribunal de Justiça. 

Os jovens estavam no local desde quinta-feira (28) para protestar contra os esquemas de desvios de verba para a compra da merenda escolar, os problemas com merendas nas Etecs e Fatecs e os cortes nos repasses para a educação.

Marmita ou lanche
O governador defendeu que as Etecs foram planejadas desde o início para oferecer lanche aos alunos, mesmo não sendo uma obrigatoriedade por se tratar de unidades de curso técnico.

De acordo com Alckmin, o governo calcula que a aceitação entre os alunos do ensino integral para o recebimento de uma refeição completa em vez de dois lanches não alcance ¼ do total de estudantes. “Mas quem optar nós vamos fazer a licitação e, no segundo semestre, já começaremos a oferecer. Não temos cozinhas nas escolas, mas a gente compra refeição pronta e entrega”, explicou.

Ao defender que as manifestações nas escolas paulistas têm caráter político, o governador questionou não ter havido invasões em unidades educacionais ligadas à União, que não oferecem merenda aos alunos.

"Os institutos federais não têm merenda e ninguém invade. A nossa, todas têm merenda, e houve invasão. É nitidamente político", afirmou.

Fraude na merenda e instauração de CPI
Sobre o escândalo da fraude na merenda envolvendo a COAF, cooperativa de agricultura familiar em Bebedouro (SP), Alckmin disse que o governo apoia as investigações e que os grandes responsáveis são os próprios diretores da COAF, que fraudavam os membros ao falsificar documentos para obter recursos públicos. 

“Nós investigamos, pedimos autorização da Justiça, grampeamos os telefones de todos eles, prendemos todos eles e apuramos e encaminhamos ao Ministério Público. O governo não tem nada, absolutamente nada. Nenhum prejuízo”, afirmou o governador.

O caso é alvo de protestos entre os estudantes da rede pública, que cobram a instauração de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp). O plenário da Alesp foi ocupado por um grupo na terça-feira (3), mas os jovens deixaram o local  na tarde desta sexta-feira após outra decisão da Justiça.

O presidente da Alesp, deputado Fernando Capez (PSDB), é um dos investigados pelo Ministério Público. Ele nega envolvimento no esquema.

Nesta sexta-feira, Capez defendeu a aprovação da CPI, e afirmou que as conversas com os deputados estavam sendo feitas antes ocupação.

"A assembleia já vinha negociando as assinaturas da CPI. Não houve nenhum adiamento, o único adiamento que existiu foi provocado pela invasão. A expectativa é que seja feita logo essa CPI, o mais rápido possível."

Como mostrou o G1, poucas reuniões da Comissão de Educação e Cultura tiveram o número de deputados presentes necessários para dar prosseguimento nos trabalhos de uma CPI das merendas.

Em uma das que houve quórum, em 19 de abril, a comissão deixou de analisar os requerimentos já protocolados sobre o escândalo da máfia da merenda e aprovou projetos de lei de caráter religioso.

A expectativa da oposição é que a pauta avance nas próximas semanas, graças à pressão feita pelos estudantes. O líder da bancada do PT, o deputado José Zico, disse que Capez se comprometeu com os estudantes a ajudar a completar as 32 assinaturas ncessárias, além de agendar uma audiência pública para discutir as investigações da máfia na merenda - ainda sem data para ocorrer.

Via G1

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