07/05/2014 14h56 - Atualizado em 07/05/2014 15h00

Belo Horizonte: que tal aproveitar a Copa e conhecer as atrações da agitada capital?

Com a variedade de opções da vida noturna e com as novas versões de sua culinária tradicional. Quem se importa se os hotéis continuam apostando no modelo executivo?

Belo Horizonte: que tal aproveitar a Copa e conhecer as atrações da agitada capital?
Imagem Reprodução

Belo Horizonte, a agitada capital do segundo estado mais populoso do Brasil, Minas Gerais, sempre atraiu hordas de visitantes - do tipo que usa terno e gravata e não larga o laptop, é verdade. Entretanto, é cada vez maior o número de turistas a passeio, interessados em explorar uma das novidades mais sedutoras do mundo das artes: o Instituto Inhotim, sede de um acervo de obras contemporâneas de primeira classe que fica a 56 km do centro.

Os fãs do futebol também não ficam atrás, pois seis partidas da Copa do Mundo, que será realizada em junho, serão disputadas no recém-reformado Mineirão. Na verdade, qualquer um que passar pela metrópole vai se surpreender com os novos museus instalados nos palácios neoclássicos que, até 2010, abrigavam repartições públicas, com a variedade de opções da vida noturna e com as novas versões de sua culinária tradicional. Quem se importa se os hotéis continuam apostando no modelo executivo?

SEXTA-FEIRA

15h - Brilho de Copa do Mundo
Cerca de US$300 milhões - foi esse o valor necessário para transformar o estádio de 1965 no Minas Arena, uma estrutura moderna que vai sediar a partida Argentina x Irã e uma das semifinais em que um dos times pode muito bem ser a seleção nacional. Se não puder ficar para ver o jogo no Mineirão, pelo menos faça o passeio, com opção em inglês, que vai levá-lo para ver os vestiários, a área de aquecimento e a área sob o teto transparente. E já que está no bairro, aproveite para dar uma espiada em alguns dos trabalhos iniciais do arquiteto Oscar Niemeyer na Lagoa da Pampulha, incluindo a arredondada Igreja de São Francisco.

20h - Elegância caseira
Em Santa Tereza, bairro boêmio da moda, jante no Birosca S2. Seu clima informal - graças ao qual o bartender acaba virando o pianista e a hostess pode terminar a noite jantando ao seu lado no balcão - evoca o ambiente de "casa da vó", reforçado pela mobília. O conceito, porém, é meio estranho, a menos que a sua tenha cursado uma escola de gastronomia requintada e produza pratos sazonais como a elegante perna de carneiro ao molho de jabuticaba, fruta que tem um nome tão gostoso de pronunciar como o seu sabor. Quando passei por lá provei uma bruschetta feita de carne seca, um fiozinho de azeite e molho de churrasco feito com pimenta biquinho, opção pouco comum nos cardápios da cidade.

22h - Bares, sim, praias, não
Belo Horizonte é uma capital sem praia, fato frequentemente citado para justificar os hábitos beberrões locais. "Se não tem mar, então vamos para o bar" - e, realmente, as opções são infinitas. Só não vá pensando que vai poder se sentar nos banquinhos em frente ao balcão, como é comum nos EUA: os brasileiros preferem mesas para papear com os amigos. Para experimentar a famosa cachaça artesanal, vá ao Bar do Antônio (Pé de Cana) ou, se preferir um lugar mais badalado e animado, a Mercearia 130. Os aperitivos são criativos e gostosos, em parte graças à disputa superpopular que acontece todos os anos, o concurso Comida di Buteco (a 15ª edição termina em onze de maio).

Seth Kugel/The New York Times
A Belo Comidaria tem todos decoração retrô e cheirinho de pães e bolos recém-saídos do forno

 

SÁBADO

11h - Brunch (mais ou menos)
Sem dúvida, a Belo Comidaria tem todos os elementos de uma casa moderna que serve brunch: clientes descolados/desleixados, decoração retrô com cadeiras que não combinam entre si, o cheirinho de pães e bolos recém-saídos do forno e uma lista, no quadro negro, dos pequenos fornecedores de manteiga, frutas e carne; pena que o conceito ainda não tenha engrenado muito bem, pois os itens do café da manhã só estão disponíveis até meio-dia. Para resolver o problema, fique bebericando leite queimado e beliscando o sanduíche aberto de tomate e manjericão até dar meio-dia; aí é só avançar no cardápio do almoço. Destaque para o cordeiro com arroz com leite de coco e erva-doce.

13h - Museu Central
Em 2010, a sede do governo estadual saiu dos prédios construídos na virada do século 20 em uma praça arborizada no centro para se estabelecer em um complexo moderno, projetado por Niemeyer, na periferia. Com isso, as mansões e prédios adjacentes foram transformados nos museus e instituições que formam o Circuito Cultural Praça da Liberdade. Único no Brasil, abriga com destaque o Memorial Minas Gerais Vale, um museu high-tech onde antes era a antiga Secretaria da Fazenda. São três andares ligados por uma escadaria atapetada, dedicados à literatura, às artes e à história de Minas Gerais. O Museu das Minas e do Metal, na ex-Secretaria da Educação, é uma homenagem moderna de entretenimento bilíngue à economia de base de Minas e o Centro de Arte Popular Mineira, instalado em um antigo hospital infantil, dedica quatro andares charmosos a tudo, desde bordados a utensílios de cozinha artísticos.

16h - Cachaça e queijo
Pergunte a qualquer brasileiro quais os produtos associados a Minas Gerais e ele provavelmente dirá queijo, doces e cachaça - e a abundância de opções desses e outros produtos tradicionais e souvenirs no Mercado Central impressiona até os compulsivos mais fanáticos. A degustação gratuita é obrigatória. O doce de leite é servido nas formas mais variadas, vendido em vidro ou por quilo; as marcas de cachaça fabricadas no estado são infinitas… e aí tem queijo, queijo e mais queijo. Procure a versão do Laticínio Tupiguá para o queijo da canastra, coberto com pimenta em flocos, que durante muito tempo não pôde ser comercializado fora do estado por causa da legislação agrícola brasileira. Parece cheesecake e é tão gostoso quanto.

20h - Pratos tradicionais, versões modernas
Como os colegas ao redor do mundo, muitos chefs brasileiros vêm criando versões contemporâneas para pratos tradicionais. O Trindade talvez seja e exemplo mais característico dessa vertente na cidade. Elegante e despretensioso, com mesas de madeira rústica e luzes um pouquinho brilhantes demais para criar um clima romântico, oferece em seu cardápio pratos como moqueca e confit de bacalhau, além do porco prensado, novidade feita com a carne da barriga do suíno.

23h - Via Berlim e Budapeste
Berlim e Budapeste ensinaram ao mundo que não há lugar melhor para se fazer uma festa do que em um prédio caindo aos pedaços; essa é a ideia por trás do Mercado das Borboletas, um complexo comercial que já viu dias melhores. No andar superior, praticamente destruído, o piso de cimento irregular e as paredes pichadas servem de pista de dança para ritmos que variam do funk à música eletrônica. Em vez de bares, barraquinhas - e até uma Kombi que vende cachorro-quente.

Seth Kugel/The New York Times
"Penetrável Magic Square # 5" do artista brasileiro Helio Oiticica está exposta em Inhotim

 

DOMINGO

8h - Arte entre palmeiras
Alugue um carro no dia anterior para poder fazer a viagem de uma hora e pouco pela BR-381 e chegar ao Instituto Inhotim à hora de sua abertura, às 9h30 - e aproveite para deixar pelo caminho sua definição de museu de arte, a menos que ela inclua um playground para adultos de 111 hectares com instalações polêmicas, para dançar, tirar uma soneca e até dar um mergulho. Acrescente aí um iglu com luzes estroboscópicas, um barco a velas de cabeça para baixo e obras de artistas brasileiros e internacionais como Hélio Oiticica e Matthew Barney espalhadas entre mil espécies de palmeiras.

14h - Bufê caipira
Chega de versões modernas da cozinha capira; é hora de provar a original. Quem vai a Minas tem que visitar os restaurantes rústicos com panelas borbulhando sobre o fogão à lenha, assim como é condição básica provar os doces. Depois de sair de Inhotim, pegue a estrada para Alberto Flores e vá procurando pelas placas que anunciam Córrego do Feijão, uma comunidade minúscula com um restaurante chamado Casa Velha. Lá, o casal Fernando Ribeiro (o simpático maître) e Suely Ribeiro (a chef de mão cheia) criou um self-service tradicional que é um verdadeiro banquete. Experimente o pernil, a galinha caipira, a farofa de couve, o torresmo crocante e, é claro, arroz, feijão e outras delícias brasileiras. Coma no salão ou leve o prato para as mesas comunais estreitas que ficam no quintal. O serviço é tradicional como as xícaras de café vintage. 

Via Uol

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