24/08/2015 14h35 - Atualizado em 24/08/2015 14h37

Bovespa chega a cair quase 6%, acompanhando exterior

ndice voltava aos seus menores níveis de abril de 2009. Bolsa é puxada por temor de que economia chinesa esteja desacelerando.

Bovespa chega a cair quase 6%, acompanhando exterior
Homem prepara o dia de negócios no saguão da bolsa de valores de Nova York. Wall Street abriu em queda nesta segunda (Foto: Richard Drew/AP)
Créditos: Matéria G1

O principal índice da Bovespa chegou a recuar quase 6% no começo do pregão desta segunda-feira (24), voltando aos seus menores níveis de abril de 2009, puxado pelo temor global de que a economia chinesa esteja em desaceleração. O comportamento da bolsa brasileira acompanha o dos mercados do exterior, como os da Europa e dos Estados Unidos.

Às 14h25, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de São Paulo, caía 1,66%, a 44.961 pontos. Veja cotação. Todas as ações da carteira teórica estavam no vermelho.

Na sexta-feira (21), o Ibovespa recuou 1,99%, a 45.719 pontos. Foi o menor patamar de fechamento desde março de 2014. Na semana passada, a bolsa caiu 3,77%.

China
A forte queda na Bovespa é influenciada pela desaceleração das bolsas asiáticas nesta segunda-feira, que fecharam em forte baixa preocupadas com a desaceleração da economia chinesa, apesar dos esforços das autoridades para tentar tranquilizar os investidores.

 

Na China, as bolsas de Xangai e Shenzhen desabaram mais de 8% cada nesta sessão, reforçando o quadro de preocupações com a segunda maior economia do mundo, que vem afetando o apetite por ativos de risco.

Os destaques entre as ações negociadas na bolsa ficavam com as  da Petrobras, que caíam mais de 2% nas preferenciais. As da Vale também tinham forte desvalorização, cerca de 4% nas preferenciais.

As ações de ambas as empresas chegaram a desvalorizar mais de 9% durante o pregão, em meio ao declínio acentuado dos preços do petróleo no exterior e temores de que desaceleração na China traga impactos relevantes sobre o preço das commodities. Os preços do minério de ferro na China recuaram nesta segunda-feira, com os contratos futuros atingindo limite diário de queda.

Outras empresas que tinham forte queda eram Gol, OI, TIM, Gerdau, Braskem, Usiminas, Siderúrgica Nacional, Rumo Logística e Embraer.

Motivos
"Todos os dados de atividade da economia chinesa apontam para uma desaceleração maior do que vem indicando o PIB (Produto Interno Bruto) oficial. E essa é a grande questão de fundo por trás dessa deterioração do mercado acionário", disse o analista Marco Aurelio Barbosa, da CM Capital Markets.

A decisão chinesa de permitir que fundos de pensão administrados por governos locais invistam no mercado acionário pela primeira vez não trouxe alívio ao mercado. Conforme nota do Credit Suisse, havia expectativa de corte da taxa de depósito compulsório dos bancos chineses para estimular a economia, o que não aconteceu.

Entre as commodities, o minério de ferro caiu 4% na China e o petróleo perdia cerca de 5%.
Em nota a clientes, Barbosa, da CM Capital Markets, escreveu que as medidas do governo chinês visam estancar o pânico entre investidores pessoas físicas e evitar o contágio da economia real pela perda de lastro para o consumo devido à redução da poupança.

"O que vem ocorrendo é que as medidas de 'socorro' à bolsa (chinesa) vêm afastando os poupadores e atraindo mais especulação. Há uma sensação de que o governo chinês está perdendo o controle da situação", afirmou.

O Credit Suisse destacou que o movimento recente do banco central da China de desvalorizar o iuan levou a um choque negativo no apetite de risco e, em caso de piora, poderia afetar negativamente também o crescimento global.

Na cena local, era visto como novo elemento de incerteza a decisão do vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, de pedir investigação das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff, assim como o risco de saída do vice-presidente Michel Temer da articulação política.

EUA e Europa
Wall Street desabou na abertura das operações, acompanhando a tendência das bolsas asiáticas e europeias, e provocando temor nos investidores quanto às perspectivas da economia mundial.

Pela manhã, o Dow Jones caía perto de 6%, assim como o Nasdaq, que recuava mais de 7%.

A bolsa de Paris chegou a perder no decorrer do pregão mais de 7%.

Milão perdia 6%, Madri, mais de 6%, Frankfurt, 4,62% e Londres, 4,20%.

Outras bolsas, como a de Amsterdã, caíam mais de 7%.

 

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