09/07/2014 16h33 - Atualizado em 09/07/2014 16h34

Brasileiras e estrangeiros tentam fazer o 'amor de Copa' passar da 1ª fase

Casais se formam durante torneio e agora têm planos para driblar distância. Homens são grande maioria entre os turistas estrangeiros

Brasileiras e estrangeiros tentam fazer o 'amor de Copa' passar da 1ª fase
A carioca Gabriela Guimarães conheceu o colombiano Eduardo Gaviria (Foto: Isabela Marinho / G1)

Os tempos de Copa do Mundo no Brasil renderam muitos e muitos gols - nos campos de futebol e também no amor. Clima de carnaval e beijos rápidos entre locais e estrangeiros nas ruas do país dominaram os relatos de quem esteve nas festas entre uma partida e outra, mas ocorreram casos em que a vontade de se ver de novo bateu mais forte.

Entre os turistas de fora, homens eram a maioria - no Rio, por exemplo, dos 400 mil visitantes 68% são homens entre 19 e 35 anos, segundo a prefeitura. Esse influxo favoreceu a formação de casais estrangeiro-e-brasileira.

Os pares recém-formados no Rio, em Porto Alegre e Brasília agora fazem planos para driblar a distância de milhares de quilômetros e combinar um novo encontro.

Rio de Janeiro (RJ)

A carioca Gabriela Guimarães, de 18 anos, conheceu o colombiano Eduardo Gaviria, de 23, no último dia 25 de junho, na Fifa Fan Fest de Copacabana, no Rio. Desde então, os dois não se desgrudaram e nem a rivalidade das quartas de final ameaçou a sintonia. O novo casal já oficializou um namoro. O administrador ia embora no domingo (6), e ela lamenta por ele não poder ficar mais. “Vou sentir muita saudade. Isso é muito triste. Ele vai embora, e aí?", disse a jovem, ainda sem saber quando verá o namorado novamente.

Mayara Gaze e Alex - o inglês que mora na Colômbia e é apaixonado pelo Brasil (Foto: Arquivo pessoal)O casal Mayara Gaze e Alex (Foto: Arquivo pessoal)

A Colômbia também foi cupido para a advogada Mayara Gaze, de 27 anos. Dia 19, em Brasília, a seleção de James Rodríguez vencia a Costa do Marfim por 2 a 1, no Mané Garrincha. Não muito distante dali, a jovem estava em uma festa para assistir ao jogo, já nos acréscimos. Um grupo de colombianos se aproximou para conversar. Mas foi um britânico que mexeu com a brasiliense.

“A paixão deles pelo Brasil é uma coisa incrível e contagia a gente que vive aqui e nem sempre dá o valor que o país merece. Conheci todos os colombianos e fiquei com o único inglês do grupo, Alex, apaixonado pelo Brasil. A gente mantém contato via WhatsApp. Ele está no 'tour da Copa', depois daqui, foi para Belo Horizonte, e vai fechar a viagem no Rio de Janeiro. Eles são muito acessíveis e demonstram muita vontade de ficar, curtir por aqui. Além de serem verdadeiros lordes com as mulheres, ao contrário do que dizem. Gostaríamos de nos ver novamente”, prevê a advogada.

Porto Alegre (RS)

A gaúcha Larissa Gonzalez (Foto: Arquivo pessoal)A gaúcha Larissa Gonzalez (Foto: Arquivo pessoal)

Pelas ruas de Porto Alegre, a fartura de estrangeiros, principalmente homens, nas últimas três semanas promoveu uma espécie de Carnaval fora de época na Cidade Baixa, um dos bairros boêmios da capital gaúcha. O ditado bem diz que "amor de praia não sobe a serra". Mas romance de Copa do Mundo, ao menos, conecta à internet.

Em meio a tantas festas e noitadas durante o Mundial, a advogada Larissa Gonzales, de 30 anos, conheceu um australiano, de 23 anos (ela preferiu não revelar a identidade do rapaz nem sua imagem). Tinha tudo para ser apenas mais um flerte, as passadas quase duas semanas da noite em que passou junto, o improvável casal ainda mantém contato.

A distância impede que haja algo mais. Mas a janela do WhatsApp vez que outra surge na tela do celular para que um saiba notícias do outro. "Ele estava pela pegação. Mas a gente se deu bem, ficou de casalzinho. Foi tipo um amor de verão. Meio improvável, mas desde lá temos conversado todos os dias. Não achei que não seria assim", contou a porto-alegrense aoG1. "[A Copa] é como uma grande festa de carnaval. Mas ele ficou comigo, de par, o tempo todo, podendo ficar com outras meninas naquela noite", comentou ela.

A noite em questão era a fria quarta-feira de 18 de junho, logo após o jogo entre Austrália e Holanda no Beira-Rio. O australiano deixou a cidade no dia seguinte. No Brasil, conheceu ainda Rio de Janeiro e Salvador, antes de embarcar de volta para o país da Oceania. "Ele disse até que queria vir a Porto Alegre antes de voltar, mas não vai dar", lamenta.

Mas há chances de os dois se reencontrarem. A advogada tem planos de ir para a Austrália. "Tenho amigos que moram lá. Já cogitava ir por causa deles. Agora tenho um motivo a mais", ri ela. O australiano deixou boas impressões. "O australiano é um cara muito parecido com o latino. Eles são alegres, têm um comportamento divertido. Mas são mais gentis, acho", elogia.

Belo Horizonte (MG)

Eduardo e Jeremy se conheceram por meio de um aplicativo de celular.  (Foto: Eduardo Siqueira/Arquivo Pessoal)Eduardo e Jeremy se conheceram por meio de um
aplicativo de celular (Foto: Eduardo Siqueira/Arquivo
Pessoal)

A Copa do Mundo não despertava muito o interesse do estudante de letras e tradutor Eduardo Siqueira, de 25 anos, até o dia em que, em um bate-papo de um aplicativo de celular, ele conheceu o analista de sistema Jeremy Carlson, norte-americano de 30 anos, em Belo Horizonte. A partir deste momento, o mundial, que foi fundamental para unir os dois, deixou de importar.

“Eu estava totalmente quieto, na minha, desiludido com tudo, com outra história e ele surgiu do nada e foi tão bom. A gente não ia ter nada, mas foi rendendo, rendendo, até dar no que deu”, contou o estudante, referindo-se ao romance de uma semana vivido durante a estadia do analista em Belo Horizonte para ver os jogos do Mundial. “Depois que nos conhecermos acabou que ele desistiu do jogo que ia assistir, entre Costa Rica e Inglaterra, e viajamos juntos”, explicou.

Eduardo aproveitou o tempo ao lado de Jeremy para mostrar e ele o que considera os pontos fortes da cidade, incluindo o Mercado Central e o Edifício Maleta, lugares tradicionais da capital. No fim da tarde, já em clima de despedida, o americano sugeriu que os dois fossem juntos para Ouro Preto no dia seguinte. “Ele queria muito conhecer a cidade, e tinha ouvido falar que era um lugar romântico. Já que ele desistiu de ir com os amigos, então fomos juntos”, contou Eduardo.

A despedida aconteceu após quatro dias, na última sexta-feira (27), data em que Jeremy voltou para a Califórnia, onde mora. “Eu não sei como vai ser a partir de agora. É impossível parar de falar com ele. Conversamos sempre, mas ainda não sabemos quando será o próximo encontro”, lamenta Eduardo. “Agora, meus planos para uma temporada na Califórnia já começam a se moldar", finaliza.

 

Via G1

 

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