03/03/2016 12h45 - Atualizado em 03/03/2016 12h46

Conheça a cidade que não tem políticos ou classes sociais

Em Auroville, na Índia, todos os moradores recebem um salário mínimo e podem trabalhar com o que acharem melhor

Conheça a cidade que não tem políticos ou classes sociais
TODAS AS DECISÕES POLÍTICAS DA CIDADE SÃO TOMADAS EM COMUNIDADE (FOTO: DIVULGAÇÃO)
Créditos: Matéria Revista Galileu

magine viver num lugar em que a política é feita do povo e para o povo, em que não há religião oficial e o dinheiro é mero detalhe. Parece utopia, mas essa é uma boa descrição da comunidade indiana de Auroville.

Oficialmente reconhecida como cidade pelo governo da Índia e pela Unesco, Auroville foi fundada em 1968 pelo casal Sri Aurobindo e Mirra Alfassa, ele indiano e ela francesa. No dia da inauguração da comunidade, pessoas de todos os cantos do mundo levaram terra de seus países nativos para simbolizar a união de todas as nações.

Hoje, cerca de duas mil pessoas moram na cidade, quem tem capacidade de receber até 50 mil moradores. A maioria dos habitantes de Auroville é indiana, mas há gente da França, da Alemanha, de Israel, dos Estados Unidos, da Rússia e até do Brasil.

Faça o que tu queres

Completamente autossustentável, a cidade tem campos cultiváveis, pequenas fábricas, restaurantes, padarias, hospitais, escolas e cinemas, além de um pequeno jornal local, tudo alimentado por energia solar. E não há escassez de profissionais! Lá, moram arquitetos, cientistas, médicos e artistas de todos os tipos, de escritores e poetas a escultores e pintores.

Todos os moradores recebem um salário mensal de R$ 405, valor suficiente para os gastos médios e para guardar um pouquinho para qualquer emergência. Mesmo que alguém acumule muito dinheiro, tocando um negócio, não há muito o que comprar, evitando assim a criação de uma sociedade de classes. Carros? Não existem em Auroville. Os cidadãos se locomovem com suas bicicletas.

A política também depende da comunidade. Não existem prefeitos, governadores ou secretários em Auroville. Sempre que surge um problema, uma assembleia é convocada e os cidadãos da comunidade elegem um conselho que remediará o problema.

Também não há religião oficial. Os residentes em Auroville são livres para exercer seus rituais e acreditar no que quiserem, desde que não incomodem ou tentem pregar suas crenças aos concidadãos.

#partiu

Qualquer um é bem-vindo em Auroville. Para morar lá, o interessado precisa apenas comprar uma casa. As residências não ultrapassam o preço de 3 mil dólares – cerca de R$12 mil. Caso o novato não tenha condições de comprar a casa, pode conversar com a comunidade e realizar trabalhos extras para abater o preço.

Todo mundo precisa ter um trabalho oficial na cidade, mas pode contribuir em outras funções e produzir sua própria arte, que é remunerada. Portanto, quando chega na cidade, o novo morador descreve suas aptidões e recebe sugestões de funções que pode exercer.

No primeiro ano que passa na cidade, o novato é observado e avaliado pela comunidade.Depois de uma ano, período que eles chamam de “estágio”, os cidadãos de Auroville decidem se a pessoa pode ou não permanecer entre eles. Caso o pedido seja negado, o valor investido na compra da casa é devolvido integralmente.

E aí, ficou com vontade de se mudar para Auroville? Confira algumas fotos da cidade:

No centro da cidade há o monumento Matrimandir, conhecido como espírito da cidade (Foto: Divulgação)
Geralmente, novos moradores vêm acompanhados de maridos e esposas (Foto: Divulgação)
Teatro de arena da cidade de Auroville (Foto: Divulgação)
Casas têm formato curioso (Foto: Divulgação)
Além de terem trabalhos formais, os moradores ajudam na manutenção da cidade, como no plantio de árvores (Foto: Divulgação)
Artistas são remunerados com um salário, assim como qualquer outro profissional, além de faturarem com a venda de suas obras (Foto: Divulgação)
Painéis solares garantem energia gratuita para toda a comunidade (Foto: Divulgação)
Auroville tem moradores de diversas idades e racionalidades (Foto: Divulgação)
Restaurantes recebem moradores e turistas (Foto: Divulgação)

*Com supervisão de Cláudia Fusco

 

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