11/05/2016 16h42 - Atualizado em 11/05/2016 16h44

Entregue nesta quarta, arena do boxe vai virar anfiteatro após as Olimpíadas

Pavilhão 6 receberá também vôlei sentado. Depois dos Jogos, terá capacidade para até 10 mil espectadores. Bem-humorado, prefeito brinca e atende celular de Nuzman

Entregue nesta quarta, arena do boxe vai virar anfiteatro após as Olimpíadas
Pavilhão 6 do Riocentro visto por fora (Foto: André Durão)
Créditos: Matéria Globoesporte.com

Palco do boxe nos Jogos Olímpicos e do vôlei sentado nas Paralimpíadas, o pavilhão 6 do Riocentro, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi entregue nesta quarta-feira. Ao lado de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador do Rio 2016, e de Arthur Repsold, mandatário da operação brasileira da GL Events, o prefeito Eduardo Paes participou da cerimônia de entrega de chaves. Como legado, o local vai se tornar um anfiteatro permanente para 5,5 mil pessoas, podendo aumentar sua capacidade para até 10 mil espectadores conforme a necessidade. 

Arena do boxe Olimpíadas Rio 2016 (Foto: André Durão)Arena do boxe e vôlei sentado e a projeção em vídeo com arquibancadas temporárias (Foto: André Durão)

- Esse pavilhão completa o projeto original do Riocentro, era o último espaço que ainda tinha e que estava previsto desde o início. Como legado, vamos transformar num anfiteatro permanente de 5,5 mil pessoas (podendo ter ampliações temporárias para até 10 mil). Para se ter uma ideia, o maior auditório da cidade hoje é o Theatro Municipal, que não chega a 3 mil. Isso vai poder permitir a realização de vários eventos, porque é uma carência da cidade um grande auditório. O Riocentro passa a ter uma oferta completa com pavilhões de exposições e um hotel que foi construído em frente. É um legado importante, é gerador de receitas para a cidade e estamos trabalhando esse mercado, mas não é algo imediato, não vai ter em 2017, porque geralmente esses grandes eventos têm um período de captação longo, então vamos ter nos próximos anos.

Eduardo Paes atende a ligação da mulher de Nuzman (Foto: André Durão)Eduardo Paes atende a ligação da mulher de Nuzman (Foto: André Durão)

 

Bem-humorado, Eduardo Paes chamou a atenção ao fazer uma brincadeira com Carlos Arthur Nuzman. Quando o celular do presidente do Comitê Rio 2016 tocou, perto do momento da entrega das chaves, Paes pegou o aparelho e atendeu uma ligação da mulher do dirigente, Márcia Peltier. Logo depois, Nuzman brincou que "levaria bronca em casa à noite".

- Oi, Márcia, é o prefeito. Olha, Márcia, o seu marido está discursando aqui - brincou o prefeito Eduardo Paes, que pediu que Nuzman continuasse seu discurso para que a esposa dele soubesse que estava na entrega do pavilhão 6 do Riocentro.

Eduardo Paes e Carlos Arthur Nuzman na Arena do boxe Olimpíadas Rio 2016 (Foto: André Durão)Eduardo Paes atende o celular do presidente do Comitê Rio 2016 (Foto: André Durão)

Na cerimônia das chaves, ele fez um panorama geral das obras, disse estar tudo correndo muito bem e afirmou que vai entregar a Arena Carioca 2 neste sábado, além de voltar a prometer o Velódromo, obra mais complicada do Rio 2016, para a primeira quinzena do mês de junho. Paes comentou que essas entregas são "muito simbólicas" para a prefeitura diante do panorama político do país nesse momento, com a questão do possível impeachment da presidente Dilma, já que mostram que independentemente de quem estiver no comando do país durante os Jogos, a prefeitura "assumiu as responsabilidades".

- Não custa lembrar que isso aqui seria obrigação do Comitê Rio 2016, seria uma arena provisória e serviria somente para os Jogos Olímpicos. A prefeitura buscou recursos privados e legado permanente para a cidade. Fizemos esse acordo com a GL Events que tem a concessão do Riocentro e da Arena da Barra. Renovamos a concessão da Arena da Barra, e eles vão arcar com custos. Vai entrar ringue de boxe ainda e arquibancadas temporárias. Não fui eu que fiz essa concessão, foi o ex-prefeito César Maia, mas acho que foi uma decisão acertada. Administrado pelo setor público, era um modelo falido. Provamos mais uma vez que dá para fazer Olimpíadas sem pegar o dinheiro que as pessoas pagam de impostos e levantar uma arena para colocar para as pessoas lutarem boxe. Temos que usar o serviço público para o que é fundamental. Não licitamos porque esse espaço já era concedido para a GL Events há mais de uma década - falou o prefeito. 

O palco do boxe e do vôlei sentado nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 começou a ser construído em setembro de 2015 sem qualquer divulgação oficial da prefeitura do Rio de Janeiro. O pavilhão 6 do centro de convenções tem 7.500 m². A obra inicialmente era prevista para ser temporária e sairia por cerca de R$ 45 milhões. Porém, a pequena diferença de custos, segundo a prefeitura, fez com que compensasse erguer uma estrutura definitiva, por R$ 51 milhões. 

A instalação tinha previsão inicial de entrega para março deste ano, mas o prefeito inaugurou a obra somente nesta quarta-feira: isso se deu por conta da alteração, de uma estrutura temporária, para permanente . A obra do pavilhão 6 também não vai integrar a Matriz de Responsabilidades dos Jogos, atualizada em janeiro deste ano, e entrará apenas na conta final dos Jogos Olímpicos como "políticas públicas", pois, apesar de administração privada, é uma concessão da prefeitura. A Matriz de Responsabilidades é o documento que informa os responsáveis pelas obras das arenas esportivas, custos, prazos e estágio das construções.

Arena do boxe Olimpíadas Rio 2016 (Foto: André Durão)Arena do boxe e do vôlei sentado vista por dentro (Foto: André Durão)

As negociações para a construção da instalação envolveram a prefeitura e a GL events, empresa francesa que adquiriu a concessão do Riocentro em 2006 por 50 anos. Para convencer a GL a assumir a obra e as reformas dos outros três pavilhões que vão receber o tênis de mesa, o levantamento de peso e o badminton, a prefeitura ofereceu a renovação da concessão da Arena Olímpica por mais 30 anos, porém sem a necessidade de nova licitação para o próximo período. 

A GL explora a casa da ginástica nos Jogos desde 2007, e o contrato de R$ 27 milhões expira em 2016. Pelo novo acordo, a empresa deverá investir R$ 73 milhões nas reformas para os Jogos. Um valor menor, se for diluído anualmente: R$ 3 milhões no primeiro contrato e R$ 2,4 milhões no segundo.  

Além dos R$ 51 milhões na construção do pavilhão 6, a GL também assumiu outras obras no Riocentro, no valor de R$ 12 milhões, e na Arena Olímpica, de R$ 10 milhões. No primeiro constam intervenções nos três pavilhões, como reformas na iluminação, no sistema de incêndio, melhoria na acústica e implantação de esgoto subterrâneo na área externa. No segundo estão previstas uma nova rampa de acesso, repintura externa, adequação nas instalações elétricas e na estação de energia, revisão no sistema de exaustão da subestação elétrica e nova iluminação.

Após a cerimônia de entrega das chaves do pavilhão 6 do Riocentro, Paes conversou por alguns minutos com os jornalistas e falou que irá mostrar à imprensa o Engenhão nesta quinta-feira. O prefeito ainda foi questionado, dentre outras coisas, sobre a possibilidade ventilada pelo Ministério Público de abrir um inquérito contra ele pelo desabamento da ciclovia Tim Maia, que vitimou duas pessoas fatalmente no dia 21 de abril.

- A prefeitura não pede nada, ela determina. O prefeito determinou que a secretaria de obras fizesse a ciclovia, que fizesse a Transolímpica, Transcarioca, o Porto Maravilha, foi tudo o prefeito. Não precisa nem de inquérito para isso. Eu já afirmei desde o início que as responsabilidades do município são minhas. Não sei fazer cálculo ou projeto, mas as responsabilidades do município são minhas - concluiu Paes.

 

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