07/05/2016 10h32 - Atualizado em 07/05/2016 10h32

Moradores escolhem neste sábado onde será novo Bento Rodrigues

Há seis meses, rompimento da barragem de Fundão destruiu o distrito. Obras devem durar 3 anos, mas início ainda depende de outras etapas

Moradores escolhem neste sábado onde será novo Bento Rodrigues
Lavoura é um dos locais onde pode ser construído o novo Bento Rodrigues (Foto: Reprodução/TV Globo)

Seis meses após o distrito de Bento Rodrigues, na Região Central de Minas Gerais, ser destruído pelo rompimento da barragem de Fundão, moradores escolhem neste sábado (7) o local onde a comunidade será reerguida. Um representante de cada família atingida vai votar entre três áreas. A votação será realizada no Centro de Convenções de Mariana, das 8h às 17h.

A barragem da Samarco, cujas donas são a Vale a BHP Billiton, rompeu-se no dia 5 de novembro do ano passado, causando 19 vítimas. Quatro delas moravam em Bento Rodrigues e uma visitava parentes na comunidade.  O “mar de lama” também destruiu mais de 80% das construções do distrito. Obrigados a sairem de casa às pressas para não mais voltarem, os moradores agora vivem a expectativa para conhecer o resultado dessa votação.

 
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Segundo o funcionário da Samarco e líder de reconstrução das comunidades, Alexandre Pimenta, cerca de 230 famílias da comunidade estão iniciando o processo de inventário de bens. Além de casas, a previsão da Samarco é que sejam reconstruídos outros imóveis, como escola, igrejas e posto de saúde.

O terreno conhecido como Bicas, de propriedade da Samarco, é uma das áreas que podem abrigar o novo Bento Rodrigues. Distante cerca de 15 quilômetros da sede de Mariana, ele tem 186 hectares para construção, segundo a mineradora.

Carabina, de um proprietário particular, também participa da votação. De acordo com o líder de reconstrução das comunidades, o espaço fica a cerca de dois quilômetros da sede do município, e a área passível de construção é de 60 hectares.

O outro terreno é conhecido como Lavoura e pertence à ArcelorMittal. Segundo Pimenta, o terreno fica a oito quilômetros de Mariana e a área destinada à construção seria de 89 hectares.

Moradores com que o G1 conversou nesta semana demonstraram preferência por este último terreno. Eles temem que, caso Bicas ou Carabina sejam escolhidos, o início das obras se arraste por causa de disputas na Justiça. A Samarco confirma que a Carbina tem pendências judiciais, mas garante que não inviabilizam a construção. Já em relação a Bicas, a empresa nega a existência de questões judiciais.

Outra preocupação em relação ao terreno conhecido como Carabina, partilhada por integrantes da Associação de Hortigranjeiros de Bento Rodrigues, é que o terreno não seja fértil. Elas têm receio que a plantação de pimenta biquinho, matéria-prima para geleia que produzem, não possa ser retomada no local. A Samarco afirma que todos os espaços em votação tem solo de qualidade para plantio e criação de animais.

Será necessário o voto de ao menos 60% dos representantes das famílias e vencerá o terreno que obtiver ao menos 60% dos votos. A expectativa é que o resultado seja divulgado entre o fim da tarde e o início da noite deste sábado.

De acordo com Pimenta, a previsão é que as obras para reconstrução de Bento Rodrigues durem três anos. Ele não precisou, porém, uma data para o início dos trabalhos. “Após a escolha do terreno, a gente ainda vai aprofundar alguns estudos. Depois, nós vamos fazer os acordos coletivos e o desenvolvimento do ‘master plan’, que é basicamente o layout dessa comunidade. Em paralelo a isso, tem o licenciamento ambiental do empreendimento. Somente vencidas essas etapas, a gente inicia as obras”, explica.

#G1 está em Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Flávia Mantovani/G1)Rompimento da barragem de Fundão destruiu mais de 80% das construções de Bento Rodrigues (Foto: Flávia Mantovani/G1)

Via G1

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